Os resultados da pesquisa em andamento ajudam a compreender o papel das Casas de Parto na redução da violência obstétrica

Casa Angela, uma das duas casas de parto de São Paulo (Reprodução/Instagram: @casaangelaparto)
Há algum tempo o debate sobre não romantizar a gravidez vem sendo levantado, e com ele muitos desabafos de mães que foram deixados de lado estão vindo à tona. A começar com a violência obstétrica, pouco noticiada, mas vivida por muitas. Em dados da Fiocruz, na pesquisa “Nascer no Brasil I”, 45% das mulheres, entre as 24 mil entrevistadas, foram vítimas da violência obstétrica dentro do SUS (Sistema Único de Saúde).
Os números assustam, mas não levam em conta os nascimentos que acontecem nas chamadas Casas de Parto. Esses locais oferecem partos humanizados, fora do ambiente hospitalar e de maneira mais acolhedora, com uma equipe normalmente formada por obstetras e enfermeiras.
A ausência desses dados na pesquisa da Fiocruz foi um incômodo para a professora Nathalie Leister, docente da Escola de Enfermagem da USP, que mesmo na Inglaterra a estudos, se prontificou e entrou em contato com a instituição ao descobrir que estava sendo feita uma pesquisa atualizada, a Nascer no Brasil II. Quando voltou ao Brasil, submeteu seu projeto que foi aceito e financiado. Nomeado como “Nascer nas Casas de Parto”, ele se compromete em acompanhar gestantes desde do dia que deram entrada no estabelecimento até os 120 dias do pós parto, analisando toda a sua experiência e satisfação com o local.
O interesse pelas Casas de Parto começou desde a sua graduação, a professora questiona o modelo vigente de assistência ao parto no país, e o denomina como “médico centrado, hospitalocêntrico e intervencionista”. Ela defende o modelo biopsicossocial ou humanístico como alternativa, que leva em conta o biológico, social e psicológico. Para ela, o parto é social, pois enquanto muitos hospitais encaram como mais um procedimento, os pais estão encarando como uma mudança de vida.
O atendimento nessas casas se inicia a partir do terceiro trimestre de gestação, com consultas pré-natais e acompanhamento com a mesma equipe que auxiliará a gestante no grande dia. No período do pós parto, oferecem um cuidado que varia de cada estabelecimento. Em algumas é fornecida a puericultura, que é um acompanhamento periódico que engloba diversas áreas da saúde do bebê, focada na avaliação de seu desenvolvimento.
A pesquisa da Nathalie se propõe a acompanhar a mãe até os 4 meses do pós parto, mesmo naqueles casos onde houve transferência para um hospital de referência, o que pode ocorrer a depender de alguma complicação. Mesmo sendo voltada para as gestações que não apresentam riscos, complicações podem acontecer, e há ambulância 24 horas disponível para esses casos. A inclusão desses casos nos resultados da pesquisa é importante para entender, de maneira ampla, o trabalho realizado ali.
“Muitas casas têm atividades em grupo, o que é maravilhoso para o fortalecimento da rede de apoio. Juntar várias pessoas que estão na mesma idade gestacional ou no mesmo período do pós parto é fortalecedor para a autonomia no cuidado com o bebê, e com o próprio”, comenta Nathalie.
Com a previsão de 30 novos Centros de Parto Normal, o Ministério da Saúde está compreendendo a importância do atendimento humanitário e os seus efeitos no controle de danos. Mas, com essa expansão haverá um novo desafio, manter a qualidade da assistência, para que, como argumenta a professora, as Casas de Parto não se tornem “mini hospitais fora dos hospitais”.
Com o objetivo de comparar experiências, de pacientes do mesmo perfil, realizados nos hospitais e nas Casas de Parto, o projeto coordenado por Nathalie já está em andamento. Os seus resultados poderão ser um avanço no entendimento desses centros, que são pouco divulgados, os colocando como uma alternativa bem vinda para mães que querem ter uma experiência diferente da que é oferecida nas maternidades.
Duas mães que deram à luz em junho de 2023, pacientes da Casa de Parto Angela, localizada na Zona Sul de São Paulo, relatam sua experiência no local.
Kathleen, mãe do Noah
“Eu fui a protagonista do meu parto. Elas me auxiliaram da melhor forma e meu marido sempre esteve comigo. Apesar de toda a dor, foi a melhor coisa que me aconteceu.”
Um dos maiores medos de Kathleen era a solidão na hora de dar à luz. Em muitos hospitais não é permitida a entrada de acompanhantes.
“Noah vai fazer dois aninhos, e graças a Deus ele nasceu na Casa Angela”, relata.
Kauane, mãe da Ruama
“Infelizmente não tive passagem [dilatação], precisei ser transferida para o Hospital Campo Limpo. A ‘casinha’ deu todo o suporte, foi comigo uma enfermeira na ambulância. Chegando no hospital, foi um ‘baque’. A experiência foi totalmente diferente, sofri algumas violências obstétricas. Mas consegui ter a minha bebê.”
Um dos desejos de Kauane era que o parto fosse da maneira mais natural possível. A Casa Angela organizou todo o seu quarto, com direito a banheira, música e iluminação personalizada. Infelizmente, passou por uma transferência. Foi realizada uma cesárea. Seu desejo inicial não se realizou, mas a ‘casinha’ a acompanhou mesmo após o nascimento de Ruama.
Kathleen e Kauane se comunicam em um grupo de mensagens com outras mães que foram acompanhadas pela ‘casinha’, como chamam, no mesmo período. E mesmo não tendo vivido as mesmas experiências no dia de seus partos, o carinho que guardam pela Casa Angela é o mesmo.
Matéria publicada na Agência Universária de Notícias
Presidente
Prof. Dr. Antônio Fernandes Costa Lima – 29/05/2023 a 26/05/2025
Vice-Presidente
Prof. Dr. Divane de Vargas – 29/05/2023 a 26/05/2025
Representantes do Departamento ENC
Prof.ª Dr.ª Angela Maria Geraldo Pierin (Titular) 11/09/2023 a 10/09/2026
Prof.ª Dr.ª Maria de Fatima Fernandes Vattimo (Suplente) 11/09/2023 a 10/09/2026
Representantes do Departamento ENO
Prof.ª Dr.ª Patricia Campos Pavan Baptista (Titular) 11/09/2023 a 10/09/2026
Prof.ª Dr.ª Valéria Marli Leonello (Suplente) 11/09/2023 a 10/09/2026
Representantes do Departamento ENP
Prof.ª Dr.ª Maiara Rodrigues dos Santos (Titular) – 07/02/2022 a 06/02/2025
Prof.ª Dr.ª Caroline Figueira Pereira (Suplente) – 07/02/2022 a 06/02/2025
Representantes do Departamento ENS
Prof.ª Dr.ª Suely Itsuko Ciosak (Titular) 11/09/2023 a 10/09/2026
Prof. Dr. Alfredo Almeida Pina de Oliveira (Suplente) 11/09/2023 a 10/09/2026
Representantes da Congregação (5º Membro)
Prof.ª Dr.ª Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini (Titular) – 15/10/2021 a 14/10/2024
Prof.ª Dr.ª Maria Amélia de Campos Oliveira (Suplente) – 15/10/2021 a 14/10/2024
Representante Discente
Thamires de Oliveira Rocha (Titular) – 06/02/2023 a 05/02/2024
Jéssica Garcia (Suplente) – 06/02/2023 a 05/02/2024
Observação:
– mandato dos membros: 3 anos – permitida a recondução
– mandato dos Representantes Discentes da Pós-Graduação: 1 ano