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Histórico do Centro Acadêmico XXXI de Outubro

Resgatando a origem do nome deste Centro Acadêmico, encontramos que o “XXXI de Outubro” é referente à data do Decreto-Lei Estadual 13040 de 31 de outubro de 1942, que instituiu a Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.


O Centro Acadêmico surgiu como proposta da diretoria da Escola de Enfermagem, visando a manutenção da ordem das atividades estudantis dentro do internato, pois na época a residência das estudantes era na própria Escola de Enfermagem, que hoje serve de salas para as docentes.

A primeira Diretoria do CA, mandato de 1944/45, teve sua presidente eleita de acordo com a exigência de que esta pertencesse ao “terço superior da classe”, de acordo com as médias das disciplinas.

As Assembléias eram obrigatórias e a Direção da Escola exercia uma forte influencia sobre as decisões do CA, advertindo sobre “maus comportamentos” das estudantes: flertar com os estudantes de medicina; deixar roupas molhadas na pia e ferro elétrico esquecido ligado durante a noite; não usar o telefone para passar trotes; descer as venezianas ao trocar de roupa e proibição de sair ao anoitecer nas imediações do HC. Em outra reunião ordinária, uma docente faz um apelo no sentido de que as estudantes auxiliem a Cruz Vermelha na execução de peças de tricot para os soldados, ficando a Comissão Social do CA responsável por organizar as atividades das voluntárias.

Nos primeiros anos, as atividades estavam voltadas para obras de caridade; festas, principalmente a Festa de Santo Antônio; e em 1945 com o auxilio da Diretoria da Escola e da Superintendência do HC, instalou-se o “Nosso Bar”, para fornecimento de lanches e refeições ligeiras às alunas e funcionários. O rendimento do bar era revertido no pagamento de funcionários, em bolsas de estudo para alunas carentes, no preparo de Festa de Natal para os doentes do Sanatório Pinel e eventualmente em empréstimos às alunas necessitadas. Instituiu-se também a “Sala Recreio” para doentes do HC, que era equipada pelo CA e com a participação de alunas voluntárias. Em 1946, instala-se a primeira sede do CA no 10º andar do HC, com verba do governo através da reitoria, no valor de 5 mil cruzeiros.

Nota-se que, neste período, as discussões feitas eram, em sua maioria, relativas às questões internas da vida do internato.

A pedido de uma professora, o lucro obtido na Festa de Santo Antônio era destinado à impressão da Revista “Anais da Enfermagem”, atualmente denominada “Revista Brasileira de Enfermagem”, órgão oficial da ABEn (Associação Brasileira de Enfermagem), e a publicação da Revista só se manteve devido o auxílio da CA. A partir de 1948, metade dos lucros eram revertidos para a Revista e a outra metade para que o CA aumentasse seu patrimônio e para suas atividades, indicando, mesmo que lentamente, uma maior autonomia financeira e política do XXXI.

Na 20ª reunião ordinária de 04/04/1946, o Dr Enéas de Carvalho Aguiar participa de reunião do CA: “...Antes, porém, o Dr Enéas de Aguiar nos deu o prazer da sua visita e aproveitando a oportunidade, convidou todas as estudantes que vão se formar para trabalharem no Hospital das Clínicas”. Nesta gestão, Wanda Horta, que dá nome à biblioteca da nossa Escola, fez parte do CA como 2ª secretária.

Em uma das reuniões administrativas da Escola, a segunda diretora da EEUSP, D. Maria Rosa Sousa Pinheiro (nome dado ao Auditório desta Escola), que foi Vice-Diretora de 1944 a 1951 e exerceu o cargo de Diretora de 1955 a 1978, totalizando 34 anos nos cargos de Diretoria desta Escola, alerta as estudantes novamente sobre os “maus-comportametos”, pedindo para que as estudantes conservassem os quartos limpos, caso contrário, ela seria obrigada a passar a revista!

Em 1950, a sede do CA passa a ser no 2° andar da EEUSP.
Em uma reunião de 1953, a Presidente do CA comunica a pedido da União Estadual dos Estudantes (UEE) que fosse decretado luto a 1º de maio pela assinatura do acordo militar Brasil-Estados Unidos.

O Centro Acadêmico começa a participar do Congresso Brasileiro de Enfermagem e Congressos Estudantis vinculados à União Nacional dos Estudantes (UNE) e UEE, e passam a ter um contato maior com os Centros Acadêmicos da USP e do estado de São Paulo.

Em 1954, acontece a primeira grande greve estudantil, com a finalidade de reconhecimento dos CAs, iniciada nos CAs da USP, mobilizando o estado de São Paulo e, após um mês, alcançando o nível nacional com a paralisação proposta pela UNE. A partir desta greve, os CAs passam a questionar o papel fiscalizador da Universidade e diretorias e conquistam sua autonomia.

Os anos seguintes foram marcados pela inserção ativa do XXXI em atividades do Movimento Estudantil (ME) e fortalecimento do contato com outros CAs e ABEn na luta pela elevação da Enfermagem para nível superior.

Em 1962 acontece nova paralisação pela Reforma Universitária, discussão e luta que permanece até os dias atuais.

Com o golpe militar de 1964 e o fechamento da UNE e de todas as entidades estudantis, o CA permaneceu ativo na clandestinidade e com “vistas grossas” da diretora Maria Rosa.

Em 1966, durante o Congresso da UEE, os estudantes participantes foram presos pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), dentre eles três da EEUSP. O CA contrata advogados para libertação desses estudantes e adere à greve geral organizada pela UNE. As estudantes que aderiram à greve foram expulsas da Escola.

Não existem documentos no CA referentes ao período de 1967 a 1970, segundo relatos, foram queimados por conta do medo e da perseguição sofrida pelos militantes do ME. De 1971 a 1976, também existem poucos documentos que registram o período.

De 1977 a 1980, o CA se fortalece através de movimentos internos pautados na reforma curricular da Escola e no autoritarismo por parte da diretoria. Neste período, acontecem importantes ações do CA: ocupação do porão (atual espaço do CA), greves estudantis e a organização do I Encontro Nacional dos Estudantes de Enfermagem (ENEEn), por iniciativa do CA, além da inserção em movimentos sociais. Este I Encontro aconteceu de 5 a 9 de julho de 1977, na EEUSP, contando com a participação de 9 Escolas, com temáticas referentes ao processo de enfermagem, currículo e habilitações, enfermagem em saúde pública, sindicato de enfermagem, apresentação de trabalhos científicos, e ainda, a necessidade de uma organização nacional dos estudantes de enfermagem. Neste contexto, foi formada uma comissão executiva nacional responsável por organizar o II ENEEn e este foi o embrião para se formar a Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem (ENEEnf), da qual a atual gestão do CA participa, uma vez que esta Executiva é formada por CAs.

A década de 80, período pós-ditadura, foi marcada por discussões relativas à Enfermagem e com tímida participação do CA no ME geral e nas questões políticas, como o movimento pelas “diretas já”. Nesta época, alguns estudantes participavam do ME, mas de forma desvinculada à atuação do CA.

Em 1985, na Festa Junina da Poli, a Enfermagem ficou responsável pela barraca do beijo (este fato nos remete a uma crítica sobre como a imagem da mulher e a da enfermagem vem sendo construída dentro da universidade, nestes espaços estudantis).

Apesar da mobilização nacional pelo impeachment do presidente Collor, a década de 90 ficou marcada pelo vazio político nas discussões e na atuação do CA, reflexo da inserção da política neoliberal e desmobilização social em nível nacional. Assim, o CA permanece voltado às questões específicas da Enfermagem.

Na década de 2000 aconteceram na universidade alguns fatos importantes, como a greve e ocupação da reitoria de 2001 e 2007. Esta última, teve início em 3 de maio devido aos decretos assinados pelo governador José Serra, que mudariam o cenário do ensino público paulista e cerceariam a autonomia universitária. O CA esteve inserido nesse processo, participando de assembléias, da ocupação da reitoria e com passadas em salas a fim de mobilizar e sensibilizar @s estudantes.

Em 2007, houve uma rearticulação entre os CAs de enfermagem do estado de São Paulo, com a finalidade de fortalecer estes CAs através de ações conjuntas, resultando no IX Encontro Paulista de Estudantes de Enfermagem (EPEEn), que aconteceu na UNESP – Botucatu, tendo por tema “Desconstruindo Mitos, Construindo uma Prática Social”. Atualmente, estes CAs buscam se reunir a cada duas semanas ou mensalmente para discutir as pautas pertinentes ao ME específico de enfermagem, além de compartilhar realidades diferentes de cada CA e sua faculdade, a fim de propor ações conjuntas. Em junho deste ano aconteceu o X EPEEn, em Ribeirão Preto e teve por tema “Trabalho e Saúde em Enfermagem”.

Todos os CAs do estado de São Paulo podem participar desta articulação, a qual chamamos de “Loco Regional” dentro da ENEEnf. Atualmente, os CAs que têm participado mais ativamente são CA XII de Maio, da UNESP; Centro Acadêmico de Enfermagem (CAE), da UNICAMP; Centro Acadêmico Ana Brêtas (CAAB) da UNIFESP; Centro Acadêmico Madre Maria Gabriela Nogueira (CAMMGN), da Santa Casa de Misericórdia; também os CAs da UNISA; UFSCAR, São Camilo e o XXXI de Outubro.

Nos últimos anos, o CA têm se inserido majoritariamente no ME específico de enfermagem e acompanhado o ME geral com pouco protagonismo. O fato da Escola se localizar fora da Cidade Universitária, o que significa uma distância física das principais atividades que acontecem relacionadas ao ME, somado a uma grade curricular de período integral pouco flexível, com pouco ou nenhum espaço de discussão política, sem trazer uma visão crítica que vise uma transformação da sociedade direcionam @s estudantes para uma formação alienada, que prioriza as questões individuais em detrimento das questões coletivas e que colabora para a não identificação d@s estudantes com estes espaços de discussão, como os CAs e o ME. Esta apatia d@s estudantes é um reflexo de um contexto histórico da juventude, em que há um distanciamento das discussões políticas devido a valores criados pela sociedade neoliberal, entre eles, o individualismo e a competição.

Para finalizar este resgate, que inicialmente parece longo, mas que é pequeno em vista do grande histórico desta entidade, convidamos a todas e todos a escreverem conosco esta história!

POR UM MOVIMENTO ESTUDANTIL FORTE E ATUANTE.

POR UMA EDUCAÇÃO EMANCIPATÓRIA QUE VISE UMA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL.

POR UMA SOCIEDADE JUSTA E IGUALITÁRIA.