ARTIGO ORIGINAL

 

As mudanças na enfermagem: a representaçao de enfermeiras acerca das mobilizações institucionais*

 

The changes in nursing: the representation of nurses as related to institutional mobilizations

 

Los cambios en la enfermería: la representación de enfermeras en relación a las movilizaciones institucionales

 

 

Vilanice Alves de Araújo PüschelI; Cilene Aparecida Costardi IdeIII

IEnfermeira. Professora Assistente do Departamento de Enfermagem Médico–Cirúrgica da Escola de Enfermagem da USP. Doutoranda pela mesma Escola. E–mail: vilanice@usp.br
IIEnfermeira. Professora Titular do Departamento de Enfermagem Médico–Cirúrgica da EEUSP

 

 


RESUMO

Grandes mudanças têm ocorrido na sociedade. Procurou–se, neste estudo, mostrar a representação das enfermeiras acercadas mudanças na Enfermagem inseridas no contexto institucional. Para tanto, foram entrevistadas dezoito enfermeirasde um hospital de ensino, público, especializado em cardiologia. Através da análise de conteúdo, conforme proposta de Bardin9, foi construído o esquema representacional que mostra o tempo do concreto e o tempo do desejo, sendo que, para se adaptar ao novo tempo existe um compasso entre os limites e os elementos catalisadores do processo de mudanças, enquanto projeto de vir a ser um novo ser profissional, para se chegar à existência auto–sustentada.

PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem. Exercicio da enfermagem.Mudança social.


ABSTRACT

Big changes have been happening in the society. In this study, we had as objective to show the nurses' representation aboutthe changes in nursing inserted in an institution context. Eigtheen nurses at a public, school hospital, which is specialized in cardiology were interviewed. Using the analysis of content acoording to Bardin9proposal, we construct a representation'scheme that indicates two periods of time, concrete and desirable time, and in order to adapt in a new time it happens ina pace between limits and catalysers of changes' process, to achieve auto–supported existence as a project to become a new professional.

KEYWORDS: Nursing. Nursing practice. Social change.


RESUMEN

Grandes cambios han ocurrido en la sociedad. Este trabajotuvocomo objetivo mostrar la representación de enfermeras enrelación a los cambios en la enfermería, insertada en el contexto institucional. Para ello, se entrevistaron a dieciochoenfermeras de un hospital–escuela público, especializado en cardiologia. Se realizó el análisis de contenido de lasentrevistas, de acuerdo a la propuesta de Bardin9, y fugconstruído el esquema representacional que muestra el tiempo delo concreto y del deseado, sin embargo, para daptarlo al nuevo tiempo existe un compás entre los limites y los elementos catalizadores del proceso de cambios, a fin de que el proyecto sea un nuevo ser profesional y así llegar a la existenciaautosustentada.

PALABRAS-CLAVE: Enfermería. Ejercicio de enfermería. Cambio social.


 

 

INTRODUÇÃO

O mundo tem passado por grandes trans­formações, aceleradas pela globalização, abarcandouma gama de conhecimentos e de informações que transitam em tempo real em qualquer parte do planeta. Descobertas as mais fantásticas têm sidofeitas, descortinando aspectos da vida nãoimaginados ainda. O surpreendente avanço dos meiosde comunicação, a evolução tecnológica são fatoresque, sem dúvida alguma, transforma o mundo numaaldeia global.

O Brasil abriu suas fronteiras e temexperimentado os benefícios de estar no mundoglobalizado e ao mesmo tempo sofrido as repercussõesadvindas deste processo em que a concorrência e asoscilações do mercado têm trazido recessão, desemprego.

Para o setor de saúde, aumenta também o acesso à informação, ao desenvolvimento doconhecimento técnico–científico, à informatização e àtecnologia, o que permite realizar tratamentos os maisdiferenciados, embora se tenha, paralelamente, acentuado a preocupação com os altos custos dosserviços, devido ao uso de equipamentos cada vez maissofisticados, levando–se à adoção de racionalização dos gastos. Por outro lado, convive–se também com problemas enfrentados por outros países, como atransição demográfica e o crescente envelhecimentoda população; surgimento de enfermidades novas oureaparecimento de doenças consideradas controladas,como tuberculose, malária, cólera, disenteria(1–2).

Como fica a enfermagem inserida nestecontexto? Vê–se a reprodução de modelos que têm sidoquestionados, embora constituem, ainda, marcadoresfortes de atuação profissional. Lunardi(3)mencionaque as características de obediência, respeitabilidade,passividade, lealdade e submissão, cultivadas ebuscadas no treinamento das enfermeiras do SéculoXIX, continuam sendo historicamente reproduzidasnos dias atuais, através da dominação dos corpos dosenfermeiros pela normalização, pelo controle do tempo, pela ênfase na minuciosidade e no perfeccionismo, pelaforça do olhar, pela sanção normalizadora e pelo exameque é permeado por uma rede de "fios visíveis einvisíveis" de poder. Sendo assim, há de se questionaro porquê desta manutenção por mais de um século,frente ao momento de grandes mudanças que estãoocorrendo no mundo e na sociedade.

Por outro lado, vê–se um movimento contra–hegemônico questionando este modelo e apontandopara novas possibilidades de atuação. Tem crescido,neste aspecto, a ênfase na humanização do cuidado,nas relações interpessoais. Tem–se buscado trabalharou falar de assuntos até então não "tocados" como acomunicação não–verbal, que permitiria o toque(4).

Também se fala agora sobre lidar com a morte e o morrer; sobre o deixar aflorar os sentimentos comomedo, tristeza, alegria; sobre o stress do enfermeiras,dentre outros. Têm–se também buscado o incrementode práticas alternativas ou complementares como formas de cuidar diferentes das tradicionalmente aplicadas dentro de um enfoque biologicista. No entanto, necessitaria se dar a estas abordagens aconsistência e o estatuto científico de pensamento ede ação que permeariam o cuidar com um padrão desensibilidade e de inovação.

Em nossa Dissertação de Mestrado(7)procurou–se identificar a representação das enfermeiras a respeito das macromudanças, as mudanças nocotidiano das enfermeiras, as mudanças na instituiçãoem que as enfermeiras entrevistadas estavam inseridase as mudanças na própria profissão. Deste modo,procurou–se neste trabalho, mostrar a representaçãodas enfermeiras acerca das mudanças na Enfermageminseridas no contexto institucional.

 

TRAJETÓRIA METODOLÓGICA

Ao situar o momento de mudanças que se fazpresente neste final de século, considera–se que osenfermeiros apreendem de alguma forma oconhecimento que na vida cotidiana é comunicado.

SegundoLane (8),a "representação é aquilo que nospermite explicar o mundo que nos cerca. Representaçãoé o sentido pessoal que atribuímos aos significadoselaborados socialmente."

Assim, buscou–se verificar a representação dasenfermeiras de diferentes setores do hospital queestivessem, direta ou indiretamente, voltadas para aassistência ao adulto institucionalizado. Para isto, esta pesquisa foi desenvolvida em um Hospital deensino, público, especializado em cardiologia, tambémgerenciado por uma Fundação. Tal escolha amparou–se no fato de este ser considerado como um dos melhores hospitais brasileiros, pois tem alcançadopadrões de excelência, comparáveis aos dos melhorescentros do mundo nesta área.

O projeto de pesquisa fora aprovado pela Comissão Científica e de Ética da Instituição,iniciando–se a coleta de dados, através de entrevistassemi–estruturadas, no período de abril a julho de 1998.As dezoito enfermeiras que participaram deste estudo,concordaram e assinaram o termo de consentimento.

Para obter os dados foram feitas entrevistas queenglobaram: I– caracterização sócio–cultural, com oobjetivo de apreender o investimento das enfermeirasno seu próprio aprimoramento pessoal e profissionale II– a seguinte questão norteadora: Como o movimentode mudanças vem se dando na Enfermagem?

Para tratamento dos dados, realizou–se a análisede conteúdo conforme proposta de Bardin(9)cujo método é desenvolvido a partir de uma lógica desimilaridade.

 

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

Caracterização do grupo de enfermeiras

Todas as pessoas indicadas, com maiorfreqüência, como representantes das unidades, eramdo sexo feminino, com idade que variou de 26 a 47 anos e com tempo de trabalho na instituiçãocompreendido entre 2 a 23 anos.

O grupo entrevistado é maduro, com experiênciaprofissional significante, trabalhando na mesmainstituição há um tempo considerável. Tem ampla eabrangente experiência profissional em diferentes áreas da instituição, além de atuações em outras instituições de saúde. Além disso, o grupo tem um perfil de profissionais com participação ativa emSociedades de Especialistas e Associações de Olasse.

Nos últimos cinco anos, houve grande investimento em atualização, sendo que oito enfermeiras estavam envolvidas em cursos de pós–graduação "stricto sensu".

As Mudanças na Enfermagem

 

 

As mudanças na Enfermagem foram represen­tadas pelas enfermeiras a partir das categoriascontidas no diagrama acima. Existe um compasso detempo, que tem um movimento de um Tempo doConcreto, representado por um profissional contido eque tem noção do descompasso, e um Tempo do Desejo.Este último é representado pelo desejo de uma nova imagem profissional e institucional. Tal profissional,oriundo desse novo processo, revela–se dotado de umdesejo de uma projeção multicêntrica. Fica claro quepara se adaptar a esse tempo de mudança e vislumbrarum novo, convive–se com os limites e,simultaneamente, com s elementos catalisadoresdesta mudança, que de maneira pendular ora vai paraum lado, ora para o outro, tal como o faz o relógio,dando um compasso a esse tempo.

O Tempo do Concreto mostra a situação em queo profissional está contido pela rotina, pela tarefa, pelo excedente, pelas relações de poder, pelo despreparo, pela falta de organização/união dasenfermeiras.

A noção de descompasso é notória nos discursos das enfermeiras. Elas têm a representação dasmudanças, percebem o seu sentido, a necessidade doque será preciso para mudar, porém não dão conta.Algumas falas mostram esse descompasso,identificando um distanciamento entre astransformações institucionais e aquelas vivenciadas no interior da Enfermagem.

E interessante observar que para as enfermeirasentrevistadas as suas percepções a respeito do grupo maior de profissionais é que este ainda não consegueacompanhá–las, pois, como mostraram as falas, asenfermeiras estão pouco despertas e preparadas paraas mudanças, tendo uma noção difusa do que estáacontecendo na sua prática profissional, porque estãomuito imbuídas na tarefa, na rotina, num ritmo detrabalho desgastante que não lhes permite sair da suarealidade e vislumbrar fatos que estão acontecendoao seu redor.

Elas acreditam que têm muitas áreas em que podem crescer e estudar, porém o poder de mobilização é pequeno. "A Enfermagem não tem força como um grupo de trabalho importante dentro do hospital, não se impõe como deveria se impor, não briga pelas coisas como deveria brigar", apesar de ter um grupo dequalidade, com pessoas muito competentes. Isso, talvezdevido à liderança que é mais antiga e faz com que seja mantida a submissão que vem da educação damulher ou do modelo que preconiza subserviência, em que se é obrigada a aceitar tudo, sem questionar.

Lunardi(3)menciona que foi a partir de meadosda década de 80 que surgiram publicaçõesdenunciando, de modo mais claro e evidente, o carátersubmisso e dócil das enfermeiras nas relações com quem representa o poder. Cita, também, outras características que têm sido ainda hoje cultivadas, talvez com outras denominações, na formação das enfermeiras, como respeitabilidade, delicadeza, submissão, lealdade, passividade, acriticidade,disciplina, obediência. Além disso, considera que asrelações pedagógicas se façam de modo menos fechado e autoritário no ensino do terceiro grau, porém percebenos cursos de Enfermagem, especialmente no seu tronco profissional, "a busca incessante do disciplinamento das alunas, mediante o controle e supervisão de seu desempenho, desestímulo àautonomia e até uma certa infantilização pela relaçãode dependência estabelecida."

Sendo assim, é de se esperar que essa marcaesteja ainda tão evidente nas enfermeiras, o que nãolhes permite brigar pelo que querem e, portanto quebrar este paradigma profissional. No entanto,precisam começar a fazê–lo, uma vez que já o conhecem.Esta deverá ser uma conquista importante para aprofissão.

Outro aspecto refere–se ao nível de conhecimentodas enfermeiras que é baixo, sendo representado pordois grupos profissionais. Um que é antigo, já está nainstituição há algum tempo e não se reciclou, ou se atualizou e não tem conhecimento. O outro grupo éformado por enfermeiras que estão entrando nomercado de trabalho, são recém–formadas e têm baixonível de conhecimento, porque as faculdades não asestão preparando adequadamente.

Este tempo do concreto, em que aparece umprofissional contido, já evidencia o descompasso queexiste dentro da instituição. Além disso, narepresentação das enfermeiras está–se demorando muito para mudar, talvez porque "faltam gestores, alguém que veja o futuro e projete para o futuro, que faça a nossa visão, que pense numa visão, numa missão, vá atrás e instrumentalize isso".

Outro descompasso, que é uma característicado hospital–escola, refere–se ao fato de admitir pessoasque vêm buscar a informação, capacitação e, após conseguir isso, vão embora. É conveniente buscarentender o porquê de tal situação, pois como é umainstituição de referência, é importante saber quais os mecanismos que estão sendo usados para manter essasenfermeiras na própria instituição, sem perdê–las para o mercado.

Os limites que se impõem ao Tempo do Concreto,que dificultam as mudanças, mencionadas pelasenfermeiras, são expostos através da resistência, dapassividade, do pouco incentivo, do despreparo.

Com relação à resistência em buscar osinstrumentos da mudança, para as entrevistadas, istodecorre de um grupo contido, que fica estagnado frentea um sistema ultrapassado e que conta com a uniãode enfermeiras para mantê–lo. Os movimentoscomeçam e param, uma vez que não há incentivo parao desenvolvimento profissional.

Aqui mais uma vez se vê a imobilização dasenfermeiras, marcando fortemente o peso do pêndulo(como representado no diagrama) nos limites quedificultam a adaptação ao novo tempo.

Por outro lado, no Tempo do Desejo, asmudanças passam por uma nova imagem profissional,que se traduz pelas mudanças de diretrizes, de poderdecisório, de participação, de valorização, deautonomia, de reconhecimento profissional e institucional com investimento, como centro de referência para o cuidar, tendo uma projeçãomulticêntrica.

Ser um centro de referência de Enfermagem, tendo uma projeção multicêntrica, pressupõe um projeto pessoal, um estilo peculiar, uma marcadistintiva, uma criação, uma autoria, reconhecida paraalém dos limites institucionais. Pressupõe, também,vínculos interpessoais. Antes, as enfermeiras eram sóo grupo, agora precisam ser elas mesmas,desenvolvendo um claro e marcado estilo de serprofissional dentro da instituição, e, principalmente,fora dela. O diferencial é individual. É como se saíssedo engatinhar para o andar. Ou seja, há um novoparadigma que se apresenta e se oferece à categoria.O padrão de inflexibilidade presente na enfermeira muda para uma forma de se tornar sujeito de sua própria história. Abandonam–se os processos deheteronomia, isto é, de dependência de terceiros, e sãoabraçados os que implicam maior autonomia.

Para adaptar–se ao novo tempo, existe arepresentação desta polaridade de forma muito clarano grupo, que tem de lidar com os limites e aspossibilidades, ou seja, com os catalisadores.

Os catalisadores das mudanças que impulsionampara o Tempo do Desejo, segundo as enfermeiras, sãoos instrumentos que estabelecem relação com apostura dos representantes, com a postura pessoal,com o aluno, com os códigos de pesquisa, com o novoperfil de competência e com o investimento navisibilidade.

Na postura dos representantes deve ser considerada a competência, o compromisso, a promoção e sustentação do grupo, bem como a suavalorização. Na postura pessoal é preciso aprender ase valorizar, a exigir, a delimitar competência, a investir. A relação com o aluno deve ser permeada com poder de mobilização. Os códigos de pesquisasurgem como precursores da qualificação do cuidar eda reelaboração das relações institucionais. O novo perfil de competência se fará, também, através daespecialização e do papel de coordenador do cuidado,substituindo o papel posto na inespecificidade da função. Por fim, o investimento na visibilidade vemsobrepor o profissional contido, preterido.

Verifica–se que as chefias estão procurando sereciclar, participar de congressos; há enfermeirasformando grupos de estudo, participando de sociedadesde especialistas; existem enfermeiras que sãoexpoentes e que são alicerces da Enfermagem na instituição; há uma linha de gerenciamento de Enfermagem mais ativa, mais dinâmica, que temprocurado mobilizar as enfermeiras a formarcomissões internas.

Há uma postura pessoal em que pessoas internamente estão procurando participar de congressos e escrever trabalhos, buscando maiorembasamento científico, apesar de muitas vezes serem,ainda, atitudes individuais e não decorrentes de umapolítica de incentivo institucional. Por outro lado, foimencionado que está se procurando regular aparticipação de enfermeiras em eventos e desenvolveruma política de recursos humanos coerente einterligada, desde a formação do indivíduo até o seuaproveitamento em áreas, de acordo com seu perfil.

Outro elemento catalisador importante é amanutenção de enfermeiras na instituição pelo vínculocom o aluno, por ser hospital–escola.

Novas atuações profissionais estão surgindo institucionalmente, como várias enfermeiras sendo deslocadas para trabalharem especificamente com pesquisa em grupos como hipertensão, cardiologia geral, cardiogeriatria, transplante, dentre outrasespecialidades.

Exige–se um novo perfil de competência em queo diferencial será o conhecimento, a posturaprofissional frente ao paciente e à equipemultiprofissional. Além de que, necessário se torna,investir na visibilidade, fazendo seu marketing, aprendendo a se valorizar.

E um movimento que tem crescido, com grandesconquistas profissionais, embora a capacidade demobilização e crescimento devessem ser bem maiores,o que faria a instituição se tornar, mais rapidamente, um centro de referência para o cuidado.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme fora apresentado no esquema representacional das mudanças na enfermagem, algumas questões podem surgir. A primeira leva apensar se haverá substrato na dimensão pessoal capazde mobilizar respostas quanto aos níveis cognitivo, simbólico e afetivo para fazer a mudança. A outraquestão é saber em que medida mudanças pessoaiscontaminarão o grupo de enfermeiras, o grupo deEnfermagem e o grupo multiprofissional. A mudançada identidade pessoal/ profissional leva à mudança narelação com os outros profissionais. Urna última questão, na qual se poderia pensar, é esta: Em que medida as duas primeiras questões acontecendoconseguirão mobilizar as relações institucionais, sendoo hospital uma instituição total?

O Compasso, que traz um movimento pendularde Adaptação ao Novo Tempo, convive com os limitese com elementos catalisadores do processo demudanças, que mostra a consciência da situação atual,assim como da premência de mudança para adaptaçãonecessária à permanência. Tem um projeto de vir a ser (desejo) que aponta para a reconstrução de si (profissional) e da instituição, bem como estásintonizado no tempo, no mundo, tendo também seusfatores facilitadores e limites para o sentido e a direçãoda mudança.

As enfermeiras indicaram muito bem arepercussão das mudanças na Enfermagem inseridano contexto institucional. Conscientes da necessidadee do sentido do investimento na mudança como requisito para adaptar–se a um novo patamar de exercício profissional, representam com clareza o contorno da existência profissional da categoria,indicando o esboço do vir a ser uma nova Enfermagem.Nesse processo, o interjogo entre s limites e aspossibilidades (os catalisadores) marcam um compassodessa reconstrução. A brecha, para o reconhecimentode si mesma e para a expressão de um novo serprofissional, vem representada pela desconstrução dopapel, dos limites e da performance vigente, na medidaem que trazem, em si mesmas, os empecilhos para atransformação.

Os sentimentos e desejos expressos no sentidoda adaptação ao novo tempo revelam um grupo profissional consciente dos limites, acreditando napossibilidade e, mais do que tudo, na premência pormudanças sem, contudo, aprofundar a reflexão nosentido de delinear estratégias de enfrentamento.

O esquema representacional expressa umaconcepção elaborada do movimento, uma percepçãode instrumentos promotores das mudançasnecessárias que atingem a instituição, o ambiente, aequipe e o indivíduo (a enfermeira), na perspectiva de tomada de decisão autônoma. Para isso, qual a dificuldade que se faz presente? Esta dificuldade mostra–se representada pela possibilidade de "darconta de tudo isso", seguindo–se os códigos modelaresda profissão. Todavia, há uma contratendênciapersonificada pela exigência de um novo serprofissional que induz, apesar de não garantir a mudança efetiva. O que se verifica é que há umaintenção, um esboço, não ainda um projetoprofissional.

 

REFERENCIÃS BIBLIOGRÁFICAS

(1) Organizacion Mundial de la Salud. Informe sabre la saluden el mundo: combatir las enfermedades, promover eldesarrollo.Genebra; 1996.

(2) World Health Organization. Health care reform, primaryhealth care and nursing: a background paper.Reykjavik;1996.

(3) Lunardi VL. Fios visíveis/invisíveis de (des)construção dosujeito enfermeiro. | dissertação Porto Alegre (RS):Faculdade de Educação da UFRGS; 1994.

(4) Silva MJP. Análise comparativa da aplicação de um programasobre comunicação não–verbal para enfermeiroshospitalares. I tese I São Paulo (SP): Escola de Enfermagemda USP; 1998.

(5) Chaves EC. Stress e trabalho do enfermeiro: a influência de características individuais no ajustamento e tolerância aotrabalho noturno. ( tese I São Paulo (SP): Instituto dePsicologia da USP; 1994.

(6) Ferreira FG. Desvendando o estresse da equipe deenfermagem em terapia intensiva. I dissertação São Paulo(SP): Escola de Enfermagem da USP; 1998.

(7) Püschel VAA. A enfermagem e o futuro: as representações que conformam um novo esboço de profissão. I dissertação São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP; 1999.

(8) Lane STM. Usos e abusos do conceito de representação social.In: Spink MJP, org. O conhecimento no cotidiano: asrepresentações sociais na perspectiva da psicologia social.São Paulo (SP): Brasiliense; 1993. p. 58–71

(9) Bardin L– Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 1977.

 

 

Artigo recebido em 08/10/01
Artigo aprovado em 05/09/02

 

 

* Este trabalho constitui–se num dos capítulos da Dissertação de Mestrado: Püschel VAA. A enfermagem e o futuro: as representações que conformam um novo esboço de profissão. [dissertação]. São Paulo (SP): Escola de Enfermagem/ USP; 1999