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Clarice Ferrarini (1921 - 2012)

 

 

Faleceu em 12 de janeiro de 2012, aos 90 anos de idade, Clarice Della Torre Ferrarini, enfermeira formada pela Escola de Enfermagem Anna Nery em 1943, que foi a segunda diretora da então chamada Subdivisão de Enfermagem do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), mantendo relacionamento próximo com a Escola de Enfermagem (EEUSP) da mesma universidade.

Quando veio para São Paulo, logo depois de ter terminado o curso, exerceu a função de professora da EEUSP, ensinando, como narrou, a “parte de técnicas da disciplina de Fundamentos de Enfermagem, com a dona Zelia Carvalho. [...] Naquele tempo, algumas enfermeiras que estavam no corpo docente da escola, como a dona Maria Rosa Pinheiro e as irmãs Verderese, traziam muita contribuição para a Enfermagem. [...] Sofriam demais porque o hospital sempre teve pouca gente, e elas trabalhavam demais, entrando noite adentro, fazendo as coisas com toda a segurança, com todo o detalhe, com todo o pormenor que aprenderam nos Estados Unidos e no Canadá. Eu acho que a Enfermagem do Hospital das Clínicas teve um privilégio muito grande ao poder contar com pessoas daquele gabarito no seu início*”.

Por ocasião do desligamento de Edith de Magalhães Fraenkel da EEUSP, a enfermeira Clarice Ferrarini foi nomeada sua diretora, pelo governador Jânio da Silva Quadros, cargo que ocupou até que a enfermeira Maria Rosa de Souza Pinheiro, a diretora seguinte, pudesse se desvincular das funções que exercia no Rio de Janeiro para, então, assumir essa posição. Sobre isso, declarou: “Aceitei esse encargo para evitar que professoras de outra escola fizessem a substituição da diretora*.”

Clarice também foi membro ativo da Associação Brasileira de Enfermagem, de quem foi presidenta de 1962 a 1964 e vice-presidenta no biênio seguinte, período marcado pela remodelação da Revisa Brasileira de Enfermagem, criação do curso de técnico de enfermagem, pelas discussões sobre a conservação do status de profissional liberal e de mudança da sede da entidade para Brasília. Também representou a Enfermagem brasileira em organismos internacionais como o CICIAMS e o International Council of Nurses, e teve destacada atuação na criação do Conselhos Federal de Enfermagem e Regional de São Paulo, tendo sido uma das conselheiras da primeira diretoria.

De 1953 a 1954, fez um estágio de um ano no Teacher’s College da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, com o apoio da Kellog Foundation, com ênfase em Administração em Enfermagem, tendo em seguida recepcionado a enfermeira Eleonor Lambertsen, quando esta veio ao Brasil ministrar o curso de Team Work, do qual foi a tradutora.
Também participou dos cursos de Administração Hospitalar ministrados pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, sob a coordenação de Odair Pacheco Pedroso e desempenhou papel decisivo em eventos marcantes na história do HCFMUSP, como o primeiro transplante cardíaco e o primeiro transplante renal efetuados no país, a implantação da primeira Unidade de Terapia Intensiva no Pronto Socorro, do Centro de Recuperação Pós-anestésica, da Unidade de Treinamento e Desenvolvimento de Pessoal e fez a proposta para a implantação da primeira Comissão de Infecção Hospitalar daquela instituição, dentre muitas outras realizações. Foi ainda assistente técnica de direção no Hospital Cruzada Pró-Infância de 1957 a 1958, e do Hospital Infantil Morumbi, depois denominado Darcy Vargas, de 1958 a 1963. De 1978 a 1980 foi diretora da Divisão Nacional de Organização de Serviços de Saúde no Ministério da Saúde, quando coordenou a elaboração dos Padrões Mínimos de Enfermagem e participou das primeiras definições das normas para a construção de estabelecimentos de saúde.

Como paulista de Santa Cruz do Rio Pardo, cidade marcada pela presença de Euclides da Cunha, que lá reconstruiu uma ponte levada pela enxurrada logo após ter sido inaugurada, a enfermeira Clarice sempre se pautou pela máxima de fazer tudo bem feito logo da primeira vez, marca que imprimiu ao seu profícuo trabalho e que influenciou muitas gerações de enfermeiros.


* Sanna, Maria Cristina. Histórias de Enfermeiras Gerentes: subsídios para a compreensão de um modelo-referência de organização de serviços de enfermagem no período de 1950 a 1980. Rio de Janeiro (RJ): Anna Nery/ UFRJ; 2002.


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